Gravidez: do “boom” hormonal ao nascimento de um novo papel.
Dois mitos povoam a mente feminina: Maria, a mãe, a que gera a vida; e Eva, feminina e símbolo de sedução. Até a gravidez a mulher se vê, majoritariamente, como Eva, sedutora. Na gravidez, uma série de mudanças corporais se instala e ela se vê deixando o mundo de Eva, adentrando o mundo de Maria.
A gravidez provoca um “boom” hormonal que interfere nas emoções e gera alteração de humor drástica num mesmo dia.
Além do aspecto fisiológico, quando nasce o bebê, nasce a mãe. Ainda que não seja sua primeira gestação, o filho é diferente do anterior e a mãe terá que se adaptar a essa nova realidade.
Atualmente, com a mulher na linha de frente em suas funções profissionais, fica cada vez mais difícil o desenvolvimento do papel materno. Existe um mito de que a maternidade é instintiva e a mulher acaba se cobrando por não saber desempenhar o novo papel. Como seres racionais, com diversos outros papéis (profissional, amoroso, filial etc), não podemos ser comparados aos animais e exigir de nós mesmos a presença do instinto.
A maternidade precisa ser desenvolvida, assim como aprender a ser filho, professor, esposa e outros. A mulher deve ser amparada, a fim de que possa olhar suas referências de modelo e saber escolher, de forma consciente, o que quer e o que não quer ser enquanto mãe.
Somente na experiência em si é que a mulher observa como vai se sair, mas a psicoterapia psicodramática oferece uma perspectiva especial para novos papéis, por meio de técnicas específicas. A maternidade é, sem dúvida, um evento que se beneficia muito desta linha psicoterápica, afinal, quem não gostaria de antecipar acontecimentos futuros, livrando-se de fantasmas passados?
Sylvia Sabbato
